Some “me” time

A melhor parte de tudo isso é poder me dedicar um pouco a mim, à minha saúde principalmente. Ganhei muitos kilos nos últimos 2 anos. Muitos. Com isso, perdi qualquer possível argumento feminista contra a ditadura do emagrecimento (que eu usava pra me permitir) quando meu exame de sangue mostrou altos níveis de glicose. Me assustei.

Claro que eu não queria engordar, não foi de propósito. Mas eu sou compulsiva com comida e como muita gente por aí, pra mim comida = felicidade. Não sou consumista, não fumo, não uso drogas…esse é meu vício. Se você pensar bem, é o vício mais complicado de curar. Eu não posso simplesmente parar de comer senão eu morro. A vida das pessoas continua, as comemorações são SEMPRE em bares e restaurantes. O único jeito é aprender a controlar mesmo os impulsos e ter disciplina e bom senso. Fácil falar…

Pra mim, esse está sendo realmente um processo de amadurecimento. Tardio talvez, pode ser. Mas antes tarde do que nunca. Acho que finalmente entrou na minha cabeça que o mundo não vai acabar amanhã e que a vontade de comer aquele doce maravilhoso vai continuar por aqui, mesmo depois de comê-lo. Então o melhor caminho talvez seja racionalizar, dialogar com ela. Tentar comparar a satisfação curta e imediata de comer algo gostoso, com a satisfação de longo prazo de investir em práticas que vão me permitir viver mais e, o mais importante pra mim, melhor.

Não tenho filhos então a preocupação de viver muito ainda não me pegou. Meu maior medo é ficar dependente dos outros pra fazer as coisas mais simples da vida, tipo, comer, andar, tomar banho, fazer cocô. Me apavora quando vejo senhorinhas curvadinhas na rua, andando com a maior dificuldade. Ou quando vejo filmes como “Intocáveis”, “O Escafandro e a Borboleta” ou “Life Itself”.

Este eu vi recentemente, aqui em Seattle mesmo, no Netflix. É um documentário sobre o Roger Ebert, um dos mais famosos críticos de cinema do mundo (e meu guru). O cara era muito foda. Não me lembro exatamente como cheguei até ele, mas acho que foi por acaso. Lendo os reviews dele no IMDB. Ele sempre conseguia explicar porque eu tinha gostado de um filme ou porque não tinha achado tão bom. Nossa sintonia era impressionante. Enfim, fui ver esse doc e descobri, pra minha tristeza, que ele teve um câncer de tireóide lá pros 70 anos, acho, e teve que tirar um pedaço do pescoço e do mandíbula. Assustador!

Ebert before surgery
Ebert before surgery

Evert after surgery
Ebert after surgery
Tudo isso pra dizer que se for pra chegar aos 70, 80, 90 anos, quero chegar com saúde, então já passou da hora de cuidar de mim. Entrei no Weight Watchers aqui. Tô curtindo. As gordinhas americanas têm bom humor. E como tenho ficado mais em casa, tenho tido tempo de preparar minhas refeições, o que faz uma tremenda diferença. Emagreci 1,2kg na primeira semana. Ganhei até estrelinha da tia. Rumo à segunda agora. Sei que ainda terei o desafio de continuar cuidando de mim quando minha sabbatical rhapsody acabar. Mas como dizia meu chefe: problemas futuros serão tratados futuramente.

Amém!

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