Insônia sabática nervosa 

Acabei de inventar o nome de uma doença. Uma que volta e meia me acomete na minha atual situação. Não sei o que acontece mas na hora em que deito a cabeça no travesseiro TODAS as possibilidades de futuro que tenho começam a querer fazer campanha para si e contra as outras ao mesmo tempo.
Você talvez pense “mas que legal, né? Vc pode fazer o que quiser agora! Aí que inveja!”. Não se engane. A liberdade é dura às vezes, como dizia nosso sábio Alexandre Pires. Sabe quando vc entra num estacionamento vazio. Não consegue escolher uma vaga? Pois é. É tipo isso. Só que o carro é a sua vida e a vaga, o seu futuro.

Pelo menos, no meu caso, eu to aqui dando voltas e mais voltas tentando decidir se paro perto da loja de roupas pra dar uma passeada ou talvez perto daquela outra de eletrodomésticos onde vou comprar umas coisas mais pesadas… Não, não! Perto do restaurante já que estou ( sempre) faminta. Hmmmm, melhor ainda: Vou parar perto do correio, tenho que passar lá no final. E nisso, a gasolina tá acabando e eu não consegui decidir onde parar.

Talvez seja pq eu gosto de muita coisa. Me interesso por muitos assuntos. Tenho dificuldade de escolher um e abandonar os outros. Fico sempre achando que escolhi errado, que o outro teria sido mais rico, mais a minha praia, teria me feito mais feliz. Desde o vestibular minha história é assim. É o sofrimento não muda.

Claro que agora, somam-se às dúvidas de carreira, dúvidas sobre planos para o futuro, dúvidas sobre saúde e biologia, dúvidas sobre vida e morte. Rola uma filosofia, uma reflexão sobre o que é essencial na vida e sobre como minhas decisões aos 33 vão determinar algumas coisas bem importantes sobre meu futuro em diversos aspectos. É diferente da minha indecisão aos 18. O peso das coisas aumentou. O caminho já trilhado, a bagagem, a história são maiores, mais complexas e adicionam riqueza. Mas o caminho pra frente ficou mais curto e deixando menos espaço para retornos ou saídas pela direita.

Indo direto ao ponto, eis o que vislumbro pra minha vida nesse momento:

1. Posso focar em arranjar um emprego aqui pra criar raízes.

– Prós: teríamos mais uma fonte de renda, a vida ficaria beeeeeem confortável, eu me sentiria útil e prejudicaria menos minha atual carreira interrompida.

– Contras: grande chances de muito esforço pra pouco retorno. Meu visto não me permite trabalhar e não é fácil achar uma empresa que queria patrocinar o visto de um funcionário que vai custar caro e só começar a trabalhar meses depois após a burocra.

2. Posso fazer um doutorado.

– Prós: Sempre flertei com essa possibilidade. Gosto de estudar e me agrada a ideia de viver na academia. Além disso, a sensação de contribuição social seria ainda maior. E poderia agregar bastante na eventual volta ao Brasil.

– Contras: eu levaria uns 2 anos pra conseguir começar (se tudo desse certo de cara) e mais uns 5 pra terminar. E pelo que tenho lido, não é simples conseguir bons empregos acadêmicos. Além disso, eu precisaria escolher um tema que me interessasse a ponto de virar uma especialista nele. Volte 3 parágrafos. Hoje fico em dúvida entre voltar pra Comunicação, tentar algo em Filosofia ou Psicologia, ou até mesmo em Ciência da Informação. Educação também me interessa. Ah, e Usabilidade em Interfaces também. Fora Cinema, né?

3. Posso fazer cursos enquanto espero o green card.

– Prós: menos compromisso, mais flexível, mais relaxante talvez.

– Contras: dá uma baita sensação de desperdício de tempo (sem saber se seria útil de fato) e dinheiro (todo curso que não é PhD custa caro aqui). Fora a dificuldade em amarrar a história da carreira numa futura entrevista.

4. Posso ter filhos logo.

– Prós: encaixaria bem na história da carreira e seria bom do ponto de vista biológico (I’m not getting any younger as you know).

– Contras: minha taxa de glicose não está favorável, meu peso não está favorável e nosso salário não seria muito favorável. Fora que o logo significaria 1 ano no mínimo se eu engravidasse nos próximos 3 meses (o que não é tão simples quanto parece).

Aí você diz “mas a vida é assim, cheia de incertezas. O melhor da festa é esperar por ela”. Juro que estou tentando enxergar desse jeito, mas nesse momento só consigo pensar que eu queria conseguir dormir sem pensar em nada. Pode ser?

Insônia feelings
Insônia feelings
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Um comentário sobre “Insônia sabática nervosa 

  1. Kerol, eu que me considero a mais assídua leitora do seu blog (pelo menos a que mais comenta!), não tinha visto esse post! O que eu tenho a dizer? “I feel your pain”… consigo me imaginar nesse estacionamento vazio com várias possibilidades e como tomar a decisão pode me atormentar… Além disso, sei bem como é esse peso da parte racional diante das opções. E o pior, o famoso efeito “paralysis by analysis”.
    E parece tão fácil te aconselhar com todas essas opções que você descreveu.. eu mesma já me ouvi falando coisas nesse sentido.
    Mas o que posso fazer agora é rezar e torcer para você encontrar o seu caminho. Já sei que você está praticando a filosofia de “um dia de cada vez” e vai assim mesmo.. devagar, tentando curtir ao máximo (como se fosse o seu intercâmbio), tentando relaxar, tentando dormir bem e acordar no dia seguinte mais perto de achar a sua “vaga”.
    Te amo!
    Beijããão

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