Em busca do (outro) nirvana

Estou meditando há 26 dias. Já estava querendo aprender enquanto ainda estava no Brasil mas achei o curso caro e (como sempre) nunca tinha tempo. Aí, recentemente, tropecei em um app que estava trending na app store, Headspace, e resolvi baixar. Depois, conversando com um amigo, fiquei sabendo que ele já estava usando o mesmo app há mais de 1 mês e curtindo a experiência. Foi o empurrão que eu precisava pra começar (eu tenho dificuldades em começar coisas).

combo_headspace_logo

Eu sempre fico desconfiada de simplificações mas o conceito é bem bacana: gym membership for the mind. A ideia é treinar constantemente, praticar diariamente, insistir. Com o tempo, o cérebro vai mudando. Você começa com um pacote de 10 dias gratuito, com sessões de 10 minutos, e depois paga uma anualidade para acessar uma série de outros pacotes.

O exercício em si parece simples mas é difícil pra caramba. Esvaziar a mente exige um esforço hercúleo. O próprio criador do Headspace, com seu sotaque britânico, vai guiando cada passo do caminho. Alguns dias eu consigo focar super bem. Outros, percebo que passei os 10 minutos distraída. Mas não importa: estou feliz por não ter perdido nenhum dia até agora, desde que comecei. Espero que meu cérebro esteja mudando sem eu perceber, como ele diz no site dele. Na verdade, o simples ato de sentar, respirar fundo e fechar os olhos já causa um relaxamento tão bacana que me fez querer voltar a fazer ioga.

funny-animals-doing-yoga-2

Eu e meu marido fizemos hot yoga durante uns 3 ou 4 meses no ano passado e a experiência foi melhor do que eu esperava. Como diz minha mãe, “ioga é para gente magra e flexível” e eu não sou nem um, nem outro. Mas existem vários tipos de ioga e a hot yoga é bem amigável para iniciantes (apesar da sauna onde é praticada). É uma variação da hatha ioga e foi desenvolvida por um indiano chamado Bikram Choudhury. Ele criou um roteiro de 26 posturas que são repetidas a cada aula. Cada postura tem um benefício biológico e a ordem delas foi pensada para que o corpo vá se preparando aos poucos. E o calor facilita a performance e acelera o detox. Os professores são treinados por ele e têm um discurso muito parecido. É quase um mantra. Eles descrevem como cada postura deve ser feita no detalhe e listam todos os benefícios que estão sendo alcançados com elas. Isso tem um efeito psicológico muito bacana. Muitas vezes estou exausta mas quando a professora diz que aquela postura ajuda a eliminar toxinas do fígado, p.ex., levanto e faço mais um esforço. Afinal de contas, eliminar toxinas do fígado não faz mal a ninguém, né?

bikram-yoga-pose-sequence_52a1d0882039b_w1500

Semana passada comecei novamente a hot yoga aqui em Seattle. Achei que ia morrer na primeira aula. O calor era insuportável, o chão estava em chamas e meu coração parecia que ia sair pulando pela sala. Hoje tomei coragem e fui novamente. E hoje consegui sentir o que estava procurando quando comecei a meditar (e que o Headspace guy fica martelando na minha cabeça): a sensação de estar presente. A ioga, como a minha professora do Brasil já dizia, é mesmo meditação em movimento. A precisão e a dedicação que ela exige para o trabalho muscular e de equilíbrio praticamente expulsam qualquer pensamento, stress, preocupação da mente. Você não pensa em nada além do que está fazendo ali, naquele momento, naquela postura. Se isso não é estar presente, não sei o que poderia ser.

O importante é: me sinto mais perto de alcançar o famigerado nirvana. 🙂

 

 

Anúncios

3 comentários sobre “Em busca do (outro) nirvana

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s