O (in)evitável sofrimento humano

Quem me conhece sabe que eu sei sofrer. Sou expert nisso. Se não houver motivo, eu arranjo. Quando tá tudo bem na vida pessoal, sofro no trabalho, e vice-versa. Ou então sofro porque há sofrimento no mundo, sofro porque crianças morrem de câncer, sofro porque o ser humano é podre ou porque não sei que sabor de sorvete escolher. Sofro.

Dia desses, surfando na web, esbarrei em um blog MUITO legal chamado Brain Pickings. É o tipo do blog que que queria ser capaz de fazer. Tudo bem que a blogger é jornalista de profissão, o que já lhe dá uma baita vantagem competitiva. Mas as questões dela são muito parecidas com as minhas, os interesses, os pontos de vista. Tudo é muito bem curado e interpretado. São posts relevantes, que agregam e que inspiram. A moça é super erudita sem ser pedante. Enfim, vale conferir!

Pois bem, esbarrei nesse blog nem lembro bem porque, (acho que eu estava pesquisando blogs para me inspirar para o meu ou buscando leituras sobre como ser uma pessoa melhor), e dei de cara com um post sobre esse cara chamado Alan Watts. O título do post me pegou de jeito: um antídoto para a era da ansiedade. Shut up and take my money!

Era tudo o que eu queria: ajuda pra dominar essa ansiedade que me domina. A pessoa sabática vive fases. Você tá lá no seu cantinho, planejando viagens, navegando no pinterest, lendo seus livros, vendo seus programas de TV, seus filmes, indo na academia, no Vigilantes do Peso, na fisioterapia (porque 4 anos sentada na frente de um computador stressada destruíram seu pescoço) e aí alguém posta algo no facebook ou manda algo pelo Whatsapp sem nenhum intenção e aquilo acende o pavio da memória e com ela vem….a ansiedade.

O que vai ser de mim? Da minha carreira? Não aguento me sentir improdutiva. Vou fazer trabalho voluntário. Vou arranjar um cachorro. Vou plantar ervas em casa. Vou ter um filho. Aaahhhhh!

Esses são os monstros que habitam o armário da minha mente e de vez em quando saem pra me assustar de noite.

Mas meus problemas acabaram!

Não exatamente, mas acho que encontrei um caminho para a luz. A blogger fez no post um belíssimo resumo do que o livro propõe. Mas uma citação especialmente me fisgou:

“If to enjoy even an enjoyable present we must have the assurance of a happy future, we are “crying for the moon.” We have no such assurance. The best predictions are still matters of probability rather than certainty, and to the best of our knowledge every one of us is going to suffer and die. If, then, we cannot live happily without an assured future, we are certainly not adapted to living in a finite world where, despite the best plans, accidents will happen, and where death comes at the end.”

Me senti amparada. Alguém não só entende como me sinto como ainda escreveu um livro para ajudar a superar esse sofrimento. Nem preciso dizer que fui de lá direto para a Amazon e comprei o livro. (Fiquei tão emocionada com a possibilidade de encontrar consolo que dei de presente pra minha mãe também, coitada, que aposto que franziu a testa colocou na estante). Dois dias depois, ele chegou, mas algo me paralisou por um tempo. Deixei ele ali no criado-mudo para quando eu me sentisse pronta para começar.

71ZB-IeScGL
Minha nova Bíblia.

Alguns dias depois, estava sem sono e abri o livro, com marca-texto em mãos (se você vai ler o livro que vai responder às suas questões de vida, você sublinha, faz setinha, marca página, usa o que puder pra garantir que vai absorver aquilo ali).

Não vou dizer aqui que saiu uma luz de clarividência quando abri o livro. A vida real não tem dessas coisas. Meus olhinhos não brilharam e eu também não chorei de emoção.

Estou lendo o livro aos poucos, tentando digerir o que ele diz. AInda não acabei, estou na metade. Não estou com pressa. Mas o que posso dizer do que já li é que acertei em cheio ao comprá-lo. Sim, o post do Brain Pickings resume bem a proposta do Watts, mas acompanhar a linha de pensamento dele não tem preço.

Alan-Watts-What-If-Money-Were-No-Object
O autor, Alan Watts.

 

O cara foi um dos poucos pensadores ocidentais que realmente entenderam a filosofia oriental. Em 1951, ele escreveu esse livro que eu estou lendo agora, em 2016, e sentindo como se ele tivesse sido escrito ontem. É uma obra-prima de fato. A narrativa didática e poética ao mesmo tempo pode não ser para qualquer leitor, mas arrisco dizer que o que conta nesse caso é a paixão.

Se você, como eu, não encontrou refúgio em nenhuma religião, se orgulha de abraçar os valores do empirismo científico mas tem uma alma desesperada por dar significado à sua vida, faça um favor a si mesmo e leia o livro também.

Não quero correr o risco de tentar traduzir aqui a mensagem do Watts sem antes chegar ao fim de sua tese. Mas podem deixar que volto ao assunto com as minhas impressões. Enquanto isso, o post do Brain Pickings certamente fez o resumo melhor do que poderia fazer. 😉

 

Anúncios

4 comentários sobre “O (in)evitável sofrimento humano

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s