A morte, essa coisa louca

Perdemos o David Bowie ontem. Mais uma lenda da música que se vai e nos deixa aqui. Eu não posso dizer que sou conhecedora da obra do Bowie. Sou entusiasta mas nunca me aprofundei. Conheço o principal, aquelas músicas que mudaram o mundo e que todo mundo sabe cantar. Minha formação musical vem do meu pai e acho que Bowie era moderno demais pra ele.

Mas você não precisa conhecer todos os singles e todos os álbuns do Bowie pra ser impactado pela força astronômica do legado dele. Eu não precisei, pelo menos. Sei o tamanho da marca que ele deixou na mundo artístico. Sua persona, seu estilo e suas bandeiras são imortais, icônicos.

E claro que, por seu status de ícone, a morte do David Bowie é daquelas mortes que abala todo um planeta, várias gerações, mortais e celebridades. Os jornais não só publicam matérias sobre a carreira e o legado do artista como também registram a comoção ao redor do mundo, as manifestações de carinho, admiração e lamento de fãs ilustres que vão desde o primeiro ministro britânico até pseudo-celebridades que nem sei quem são.

Comecei a ler alguns tweets e me peguei com os olhos cheios d´água. OK, alguns desses caras sabem escrever e conseguem ser poéticos em 140 caracteres. O Heathrow postou: “Ground control to major Tom”. Achei de um brilhantismo carinhoso que me emocionou. Um cinema na cidade onde ele nasceu anunciou em sua clássica fachada de rua “David Bowie. Our Brixton boy. RIP” e escreveu: “Thanks for blowing our minds”.  E há poucas horas, vi no Facebook um video incrível dos moradores de Brixton celebrando nas ruas a obra do conterrâneo: https://goo.gl/wHcpSR

Diante disso tudo, não consigo não ficar meio pensativa nessa minha mania de entender o mundo. Que coisa louca essa tal de morte. Tão temida e tão poderosa. Ela é capaz de fazer a vida parece mais incrível, mais colorida, mais apetitosa, mais épica. Quando a gente lembra de alguém que morreu, tudo naquela pessoa parece mais heróico. OK, no caso do Bowie não é mentira. O cara foi revolucionário e isso é algo de que poucos no mundo realmente podem se orgulhar. Mas porque será que, após saber de sua morte, ouvir “Starman” me causou arrepios que eu não sentiria minutos antes?

A arte dos mortos parece ter mais valor que a arte dos vivos. Van Gogh que o diga. Acho que com a morte, constatamos que a obra é finita e que nada mais será produzido por aquela mente brilhante. Cada música passa a ganhar o status de parte do legado de uma vida e quão mais precoce a morte, maior a parte que ela representa. Quando a música toca, aquele artista está vivo, durante 4 minutos. É uma sensação muito louca. Uma mistura de luto pela perda e de celebração da infinitude. E a morte nos obriga também a fazer sentido da vida, a analisar, refletir e dar dimensão ao que foi vivido.

Minha conclusão, ainda bem que não vivemos 24hs por dia com toda essa intensidade ou seria insustentável. Haja coração.

 

 

Anúncios

2 comentários sobre “A morte, essa coisa louca

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s