O gato preto cruzou a estrada

Adotamos 2 gatos.

Pois é. Eu nunca tive nenhum animal de estimação. Minha mãe tem pavor de bicho e amor por casa arrumada. Não entrava na conta. Mas sempre achei que conviver com um bicho desenvolve qualidades numa pessoa que eu queria ter. Claro que, por herança, eu também sempre fui meio medrosa com animais. Nunca convivi com um, não sei como se comportam, todo cuidado é pouco. Mas aos poucos, fui relaxando mais e passei a pensar muito em viver essa experiência.

Sabática então, passei a pensar mais ainda. Seria uma companhia, uma distração, um projeto. Falamos, falamos, pensamos, pensamos e no fim-de-semana passado fomos a um abrigo aqui perto e saímos de lá com dois gatinhos pretos fofuchos.

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Quem aguenta essa fofura???

Por que dois? Ah, excelente pergunta! Eu queria um filhote porque dá pra morrer de fofura com filhote de gato. Queria um bolinha de pelos pra esmigalhar estilo Felicia e queria ver o bichinho crescer e tal. Chegando no abrigo, a moça deu a notícia: não adotamos filhotes sozinhos, só em pares. Para que é essencial pro desenvolvimento do gato que ele conviva com outros gatos quando filhote e aprenda a socializar. Além disso, um entretem o outro, ajuda o outro a se manter limpinho e nada como um amiguinho peludo pra dormir abraçadinho. Convenceu. Levamos dois.

 

Chegamos em casa com uma menina de 5 meses e um rapaz de 1 ano. No abrigo, a menina já tinha se mostrado tímida e assustada, mas queríamos um filhote e ela era a única (outra coisa que descobri é que gatos costumam dar cria na primavera e no verão, então não era a melhor época para achar filhotes). O rapaz foi derretimento de cara. A própria moça do abrigo sugeriu ele como par pois, supostamente, eles já tinham criado afinidade. Mas o fator determinante foi que ao nos aproximarmos dele, ele já se enroscou todo, ronronando pro nosso carinho. Era ele.

Aí então foi a hora de comprar os suprimentos: caminhas, caixa de areia, areia, ração, brinquedinhos e casinhas de transporte. A brincadeira não saiu barato não, mas estávamos decididos. O desafio mesmo começaria quando chegássemos em casa.

Seguimos a instrução do abrigo e colocamos cada um em um ambiente separado para que se acostumassem aos poucos ao novo lar. Gato sente muito qualquer mudança e fica ansioso e estressado (me identifico). Deixamos a pequena no quarto e o rapaz na sala. Ele já chegou chegando. Saiu confiante da casinha, explorou tudo e veio até nós pedindo carinho. Ufa! Esse vai ser tranquilo.

Já ela, ainda estamos lutando para conquistar. Ficou entocada na casinha um tempão e quando finalmente teve coragem de sair, se entocou numa prateleira do meu criado-mudo e de lá não saía por nada. Quando chegávamos perto, ele se desesperava de medo. Dava dó da bichinha. Fomos devagar. Entrávamos no quarto, paquerávamos um pouquinho, tentávamos mostrar que éramos do bem e saímos pra deixar ela relaxar. Depois de umas 4 investidas, resolvemos abrir a porta do quarto pra ver no que daria, com a esperança de que ao vê-lo, ela poderia se sentir mais confiante.

E foi o que aconteceu. Depois de um tempo com a porta aberta, ela se arriscou até o corredor e se enfiou no nosso móvel de sapatos que fica ali. Sabendo disso, demos um jeito de fazê-lo passar por ali para que ele visse. Não deu outra. Depois que ele passou, vimos a cabecinha curiosa dela espichando pra fora do móvel. A partir daí, fomos aproximando-os devagar, supervisionando. Ele ficou ciumento, pra nossa surpresa. Não chegou todo cheio de carinho e ameaçou umas patadas nela. Mas ela estava tão apaixonada que foi conquistando espaço aos poucos. Ficamos felizes de ter decidido adotar 2. Foi realmente importante para ela.

Hoje, 4 dias depois, estamos começando a nos acostumar uns com os outros. Eles dormem o dia inteiro e tocam o terror de noite. Na primeira noite não dormimos. Era correria e miadeira a noite toda. Depois melhorou. Ele já vem pedir carinho de manhã, deita do meu lado no sofá e deixa fazer carinho na barriga, cortar unha e escovar. Ela ainda se faz de difícil. Pra ganhar um carinho a gente precisa se espremer debaixo do sofá, onde ela fica o tempo todo, e implorar pra chegar perto. Quando começamos o cafuné ela ronrona que só ela. Mas a desconfiança permanece. Um dia de cada vez. A natureza é sábia, há que respeitá-la.

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E os nossos: Ella Catzgerald, 5 meses, e Louis Catstrong, 1 ano. 

 

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