I get by with a little help from my friends

Comecei a rever The Wonder Years semana passada no Netflix. Eu lembrava (vagamente) de ter assistido há uns bons anos atrás no Multishow logo que assinamos TV a cabo. Eu devia ter uns 14, 15 anos e ainda que não lembrasse de muitos detalhes, lembrava do Kevin e da Winnie Cooper com carinho. Quando vi no Netflix resolvi relembrar porque gostava tanto da série. E fiquei ainda mais apaixonada dessa vez.

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A voz do Kevin adulto era a do Daniel Stern, um dos bandidos que atormentavam outro Kevin no clássico Esqueceram de Mim.

Chamada de Ano Incríveis no Brasil, a série foi lançada em 1988 mas se passa na virada dos anos 60 pros 70 quando muita coisa acontecia nos EUA (e no mundo). Direitos civis, Vietnã, flower power, corrida espacial, caça às bruxas e, como em toda adolescência, o primeiro beijo, as brigas com os irmãos, a relação com os pais e a amizade. Kevin, o personagem principal, tem 12 anos em 1968 quando começamos a acompanhar seu crescimento e suas descobertas e experiências de um adolescente em uma época efervescente. O roteiro consegue costurar com brilhantismo a vida deste garoto com temas profundos como guerra p.ex. Mas acho que o fator crucial que amarra tudo com maestria e torna a série quase atemporal é a narração do próprio Kevin, com uns trinta e poucos anos. A identificação é simultânea. O versão adulta do Kevin relativiza tudo com o humor e a sensibilidade que só um adulto pode ter ao relembrar suas crises de infância e adolescência.

 

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“Esta é mais uma edição do diário de bordo de Lucas Silva e Silva, falando diretamente do Mundo da Lua onde TUUUUDO pode acontecer.”

No Brasil tivemos um similar que lembro demais também de amar quando era criança. Mundo da Lua acompanhava o meninos Lucas Silva e Silva e sua imaginação fértil. Quem não lembra do clássico “planeta terra chamando, planeta terra chamando”? Era o retrato fiel da maioria das crianças de 10 anos e de como lidavam com as situações complicadas de seu dia-a-dia.

 

 

Outros 2 filmes absolutamente incríveis centrados no ponto de vista de crianças que lembro muito são Stand by Me, de 1986, e Little Manhatan, de 2005. Stand by Me é um clássico que acompanha um grupo de meninos numa cidade pequena dos EUA vivendo uma grande aventura ao ir em busca de um cadáver que havia sido encontrado num rio próximo, também narrado pela versão adulta de um deles. Foi o primeiro filme bacana que o jovem River Phoenix (aquele ator prodígio que viria a morrer de overdose em LA 7 anos depois), teve seu roteiro baseado em Stephen King e direção de Rob Reiner. É uma mistura de road trip com coming-of-age executada de forma maestral. Já Little Manhattan mostra o ponto de vista de um menino de 10 anos em Nova York que se vê apaixonado pela primeira vez. Absolutamente delicioso e fofo!

Teoricamente, The Wonder Years é um sitcom. Os episódios são curtos e ela se posiciona mais como uma comédia da vida real do que como drama. Mas pra mim, é uma das séries mais sensíveis e profundas que já vi. A atuação das 3 crianças principais da série, as reflexões do Kevin adulto e a pura nostalgia de lembrar da minha infância, dos meus amigos e dos meus amores me enchem os olhos d’água em quase todo episódio. A trilha sensacional da época ajuda bastante também, não posso negar. Mas o grande barato é que não é meloso, xarope ou apelativo. São a emoção e a comoção da vida real e não há nada mais verdadeiro do que isso. Não é a toa que a nostalgia vende.

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ANTES: o pai, o irmão, Kevin, a mãe e a irmã.
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DEPOIS: a mãe, Paul, a irmã, o irmão, Kevin, Winnie Copper e o pai. ❤
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