Di Ai Uai pra todos os gostos

pinterest-funny-pictures1

Às vezes tenho a impressão que todo mundo tem talentos manuais menos eu. Tudo culpa do Pinterest, claro. Desde que virei heavy user quando estava buscando referências pro meu casamento no ano passado, minha fascinação pelos boards de DIY veio crescendo. A profusão de ideias é impressionante e vai de objetos decorativos, novos usos para coisas velhas, jardins internos, etc. Tudo parece tão simples. Faça seu próprio buquê de pérolas. Crie um brinquedinho super divertido para o seu gato. Com seu lixo reciclável construa uma casa para os desabrigados da sua cidade. Não sei porque mas esse papo todo me traz lembranças do Daniel Azulay quando eu (e a maioria das crianças) não conseguia fazer nada do que ele ensinava na TV.

daniel-azulay1-e1381238594311.jpg
“Muito bem, amiguinhos, para o projeto de hoje peguem 3 folhas de papel, uma tesoura sem ponta, lápis de cor, cor e uma furadeira elétrica.” Oooooi?

Pois bem, para nooooossa alegria, viemos parar na terra do DIY. Mas a arte do faça você mesmo aqui vai muito além de fazer pulseirinha de miçanga e enfeite pra festinha de aniversário do afilhado. Aqui o negócio é sério. O buraco é mais embaixo. O DIY aqui começa com deveres cívicos como separar o lixo e levar o lixo até a calçada. Quando chegamos ficamos num AirBnB que era uma casa num bairro mais residencial de Seattle. A locadora tem um manual super completo que fica disponível para os loatários consultarem e ficarem cientes de suas obrigações. Um delas era garantir que seu lixo fosse colocado na lixeira correta (aqui eles separam em 3: recilcável, orgânico e o resto) e levar as lixeiras até a calçada toda segunda antes das 7 da manhã ou o caminhão não recolheria o lixa aquela semana. Agora que moramos num prédio, não precisamos mais levar as lixerias pra calçada e o recolhimento do caminhão é mais frequente. Mas se o prédio for flagrado desrespeitando as normas de classificação do lixo será multado.

Outro DIY que aprendemos rapidinho aqui foi o faça sua própria mudança. Existem serviços em formatos variados e para todos os gostos. Inclusive o serviço completo em que fazem tudo pra você. Mas o mais comum mesmo aqui é que você alugue o caminhão e se encarregue pessoalmente do resto. Não chegamos a este ponto porque não tínhamos móveis quando chegamos aqui. Mas trocamos de casa 2 vezes antes de sossegar no nosso apê e ambas as “mudanças” foram feitas com algumas viagens em um zipcar.

c202a7d88a86862ffdceb617406888f6

Nosso DIY mais frequente, porém, é a faxina. De novo, não é que não tenha a opção de pagar pelo serviço, mas é bem mais caro e, suponho, bem menos caprichado. No Brasil estamos acostumados com uma faxineira que vai em casa pelo menos  uma vez por semana e fica lá umas 7, 8hs limpando cada centímetro quadrado do apartamento. Pelo menos nossas faxineiras eram assim. Aqui, você contrata uma empresa que leva, sei lá, 3 pessoas de uma vez e em 1 horinha está pronto. Quando nós mesmos fazemos, não chegamos aos pés das nossas brazucas, mas possivelmente fazemos um pouco melhor do que a empresa e, pelo menos, é de graça. Quer dizer, acho que tem um outro custo escondido aí, relativo a saúde. Haja força física e preparo pra fazer faxina, gente! Se eu já achava que esse trabalho era muito mal remunerado no Brasil, hoje tenho certeza absoluta.

E acho que esse é o grande ponto da questão. Aqui, as pessoas fazem as coisas elas mesmas porque aqui os serviços, a força de trabalho e o tempo das pessoas têm valor de verdade. A troca financeira não é feita em vão e não é pechinchada como estamos acostumados a ver no Brasil. As empresas não tentam te garfar e se você não estiver satisfeito com o serviço ou o produto pode, muitas vezes, sim ter o seu dinheiro de volta. Isso muda a forma vemos nosso próprio poder aquisitivo e o alheio. Cada um aqui valoriza tanto o próprio dinheiro conquistado com o suor de seu trabalho que, se se considerar capaz de desempenhar alguma tarefa, não se sentirá bem em pagar para outra pessoa fazê-lo. E isso se estende também ao aproveitamento e à reutilização de recicláveis.

Isso é tão enraizado na cultura americana e tão não enraizado na nossa que é até difícil de absorver completamente. Mas estamos tentando. Enquanto isso, sigo aqui na missão de pelo menos conseguir aproveitar lixo reciclável para algo útil. Já vou me sentir bem melhor. Sério, dá uma olhada nos exemplos abaixo e vê se você também não se sente mal a próxima vez que jogar aquela pet no lixo levianamente. 😛

Anúncios

Um comentário sobre “Di Ai Uai pra todos os gostos

  1. Ameiiii esse post! Por essas e outras que eu tenho certeza que ia adorar morar nos Estados Unidos – não necessariamente eu gostaria do DIY de artesanato, mas as coisas são simplificadas de uma forma que permite que você se vire muito mais facilmente, e você consegue viver de uma maneira bem pratica! E a separação de lixo organico, recicláveis e outros? Tem como não amar e lembrar do Ecoppead? Enquanto isso algumas pessoas ainda insistindo em lixeiras coloridas para cada material, que não são usadas corretamente! Eu já estou em um nível que não consigo jogar uma garrafa PET nem outros tipos de embalagens limpas no meio do lixo comum. Espero que o povo daqui evolua em breve!!! Beijos

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s