O homem é o lobo do homem

 

Eu sou meio viciada em séries de TV. Desde que descobri Friends, acho. Mas nessa época eu via o que me era oferecido pelos canais de TV a cabo do Brasil. Lost a foi a primeira a me introduzir no submundo do tráfico de séries. E como o que é proibido é sempre mais gostoso, acho que virei TV junkie ali. Na época eu trabalhava com TV e o diretor do programa que estávamos gravando comentou sobre a série. Eu tinha ouvido falar mas não tinha assistido ainda. Resolvi conferir.

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A maioria dos fãs detestou a conclusão da série. Eu amei e achei coerente. OK, ficaram pontas soltas dos mistérios, mas dane-se, o centro da trama foi belamente concluído na minha opinião.

Na época, nem lembro em que canal passava, mas rolava aquele gap gigaaaaaante em relação à estreia dos episódios nos EUA. E depois que eu comecei a assistir e gostei, não conseguia mais esperar. Eu ia buscar informações na internet e tinha que rebolar pra não ver spoilers. A ansiedade era demais. Eu tive que dar um jeito. Recorri aos torrents. Esse foi o começo do fim da minha vida. Depois que você entra no submundo, é bem difícil sair. Eu acordava cedo no dia seguinte em que o episódio ia ao ar noa EUA e colocava o episódio pra baixar. Depois corria atrás de um arquivo de legenda, que fãs maravilhosos e cheios de iniciativa faziam e disponibilizavam de graça online. Geralmente, por ter muita procura e muita oferta, tudo baixava muito rápido e eu ainda conseguia assistir ao episódio antes de ir trabalhar de manhã.

Só que não parou por aí. Comecei a ouvir falar de outras séries interessantes que estavam sendo exibidas nos EUA e, ou ainda não tinham chegado no Brasil ou estavam super atrasadas. Depois fui sabendo de séries que já tinham passado aqui e nunca tinham chegado para nós. E ainda quando via propagandas de séries interessantes nos canais do Brasil simplesmente não esperava mais estrear lá. Nessa onda, eu devo ter baixado e assistido a umas 30 séries diferentes online. Dexter, Entourage, Six Feet Under, Twin Peaks, Mad Men, Breaking Bad, True Blood, How I Met Your Mother, pra citar as mais relevantes e as que mais gostei. Algumas ainda tenho completas no meu HD externo. Bad habits are hard to shake. Mas as emissoras finalmente acordaram para o problema a passaram a, em muitos casos, fazer estreias simultâneas no mundo todo então aos poucos fui conseguindo cortar meu vício e hoje não baixo mais nada.

As minhas duas séries preferidas do momento também começaram assim para mim: The Walking Dead e Game of Thrones. Nenhuma surpresa aí, certo? São as séries mais badaladas do momento pra muita gente. Mas são também as mais violentas de todas as que citei.  TWD é, de longe, a série mais visceral que já vi. Um grupo de pessoas tenta sobreviver no apocalipse zumbi. Tá, eu sei, parece bobo e inverossímil. Mas, sei lá, talvez não seja tão impossível assim. Outro dia meu cunhado comentou sobre algo que foi absolutamente chocante para mim. Existem zumbis na natureza. Parece que há um tipo de fungo que mata formigas e se apodera de seu sistema nervoso, controlando seu corpo. É…quem é bobo agora?

Mas anyway, esse não era bem o meu ponto. O que acho mais interessante em TWD (e em GoT) é o retrato cru da natureza humana. Em TWD, o contexto é o apocalipse zumbi, mas poderia ser outro, poderia ser o holocausto, as guerras civis, a favela, enfim. A verdade é que quando as convenções sociais caem por terra e vira cada um por si, o homem mostra sua verdadeira essência e a coisa fica feia. Claro, a série tem muitas tripas voando, cabeças sendo esmagadas, feridas e mutilações. Tem que ter estômago mesmo porque a nojeira se supera. Mas aos poucos, o zumbi e os efeitos especiais vão virando um detalhe, mais um de muitos predadores que o novo mundo oferece.

No último episódio que foi ao ar domingo passado, a discussão latente sobre o assunto foi mais evidente. Tá bom, a gente sabe que o grupo já passou por poucas e boas e entendemos que eles tenham ficado mais desconfiados, armados e preparados para fazer o que for necessário para sobreviver e proteger os seus.

Mas nesse episódio, eles entram em uma área extremamente cinzenta que abre espaço justamente para as discussões que me interessam. O líder do grupo, Rick Grimes, decide que eles devem atacar um outro grupo preventivamente, quer dizer, antes que eles sejam o alvo. O grupo, que em outros tempos jamais teria topado tal empreitada, ainda que titubeante, não vê outra alternativa senão se juntar a ele. E alguns membros, sortudos o suficiente de não terem precisado assassinar outro ser humano até então, precisam começar a se acostumar a inevitabilidade da situação.

GoT é mais político, imperialista, estratégico. E fantástico. Mas os dragões, as bruxas e os outros seres mágicos que aparecem também são mais um elemento da história e não o foco. Não para mim pelo menos. O que mais me prende ali é a luta do bem contra o mal mas o pulo do gato é que não tem essa abordagem maniqueísta. Os mocinhos e os vilões são humanos, tem defeitos e cometem erros, como todos nós.

No fim das contas, são duas séries muito bem escritas, com personagens cativantes, cuidadosamente construídos e interpretados por atores extremamente competentes, além de equipes técnicas de primeira que criam cenas épicas e emblemáticas que vão durar para sempre no imaginário da minha geração. E são séries que me lembram do que o homem é capaz…

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O bem contra o mal ou eu sou você amanhã?

Just in case, vou comprar uma espada samurai e deixar guardada.

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