#gratidão

Gratidão é uma palavra estranha . Não costumo usar muito, muito menos no formato hashtag, como coloquei no título. Mas foi a melhor tradução que encontrei para appreciation. Estou no módulo appreciation do meu Headspace e tenho pensado nesse assunto vez por outra. Em uma reunião do Vigilantes também falou-se nisso há algumas semanas. O tal do Appreciation Diary. A ideia é você tentar todo dia listar coisas ou pessoas pelas quais você sente apreciação ou gratidão.

Esse é um exercício interessante pra mim. Eu sou daquelas pessoas que tem a péssima mania de ver o copo meio vazio. Queria ser “Maria, Maria” e ter a estranha mania de ter fé na vida. Juro que queria. Mas é algo que é mais forte do que eu. Eu sempre digo pra mim mesma que isso é fruto de uma abordagem racional das coisas. Não sou religiosa. Não mais. Nasci em uma família católica, fui batizada e fiz primeira comunhão. Mas em algum momento algo em mim estalou para o fato de que aquela história toda parecia muito conveniente e pouco científica. Me identifico mais com o empirismo, com fatos observáveis e comprováveis. Adoro fábulas e histórias mágicas, mas separo bem as duas coisas. Mitologias e vida real. Por isso, não sei bem dizer quando nem porque, mas sei que parei de acreditar e comecei a questionar.

Minha avó materna é bastante católica, daquelas que participa da vida da igreja, entrega hóstia e tudo. Mas ela tem a mente aberta e aceita que eu seja diferente. Sempre que tocamos no assunto, eu sempre pisando em ovos, ela sempre delicada, conseguimos achar um meio termo e nunca discutimos sobre esse assunto. Quando falamos pelo telefone, ela se despede “deus te abençoe” ao que eu respondo “obrigada”. Ambas somos sinceras e respeitamos isso uma na outra, penso. Minha mãe fica um pouco mais incomodada. Ela lamenta muito que eu não tenha fé em minha vida. Qualquer que seja. Depois de alguns anos ouvindo isso, comecei a entender um pouquinho. A fé, me parece, é aquela rede de segurança dos acrobatas de circo que os impede de bater no chão. Eles não querem cair. Equilibrar-se é seu ofício e eles dedicam sua vida a seguir andando na corda bamba. Mas sabem que, se caírem, algo os ajudará a voltar para o topo e os impedirá de quebrar a cabeça.

Eu não tenho essa rede de proteção e sinto isso quase todos os dias da minha vida. Ainda mais agora que não estou trabalhando. Tenho mais tempo livre, mais tempo para filosofar. Não ter essa rede de proteção é duro. Não pensem vocês que quem não tem religião é feliz o tempo todo. Tenho um certo orgulho de mim mesma por persistir nessa ideologia (apesar de não ser algo que faça conscientemente e sim uma parte da minha natureza, creio). Mas sei, diariamente, como é difícil manter viva a esperança em dias melhores quando não se tem algo sobre que cair. Costumo ver tudo cinza, às vezes preto, às vezes azul, pouquíssimas vezes rosa. Minha constante é o ceticismo, a cautela e a dúvida.

Cansa.

Mas voltando ao motivo do post (e prometo que o texto vai ficar mais positivo daqui pra frente), a meditação tem ajudado bastante, assim com o livro do Alan Watts. Cada vez mais simpatizo com a filosofia oriental de viver o presente pelo simples fato de que a argumentação lógica me convence (o que me alivia de manter minha auto-coerência). Não sou forte todo dia, não tenho meditado todo dia (embora devesse), tem alguns dias que não toco no meu livro (que ainda não acabei), mas a tese anda comigo. A proposta ecoa na minha cabeça quando se faz necessária. Portanto, como dizia, estou há alguns dias no módulo Appreciation do Headspace e lá pros últimos dias, ele propõe que façamos nosso Appreciation Diary. Até agora só sentei para escrever de verdade 2 dias, separados por 1 semana. Mas de alguma forma sinto que acabo fazendo o exercício todo dia ainda que internamente. O pensamento de gratidão bate em mim de vez em quando e a sensação que vem com ele é realmente muito positiva. Agradeço pela minha família, pelo meu marido, por meus amigos, minhas pernas, meu banho quente, meu teto, meus gatos, pela arte, pela luz do sol, pela gentileza humana, por minha saúde e meu pão de cada dia. E fico feliz.

A proposta do Appreciation Diary é exercitar o olhar positivo sobre a vida. Paremos de reclamar e passemos a apreciar o que há de bom em nossas vidas. Mesmo os dias muito ruins, em que tudo dá errado, procurar o que há de bom eleva a alma e tem um poder incomensurável para a moral. Algo que persiste e é capaz de nos transformar.

Não à toa uma das músicas que mais mexe comigo defende a mesma tese. Escrita por ninguém menos que Charles Chaplin, que dedicou sua carreira a fazer as pessoas sorrirem, e interpretada pela doce e aveludada voz de Nat King Cole, Smile é, na minha humilde interpretação, quase um hino à #gratidão.

Com ou sem hashtag, just smile.

Smile, though your heart is aching
Smile, even though it’s breaking
When there are clouds in the sky
you’ll get by
If you smile through your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You’ll see the sun come shining through
for you

Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness Although a tear may be ever so near
That’s the time you must keep on trying
Smile what’s the use of crying
You’ll find that life is still worthwhile
If you’ll just
Smile

CHARLIE

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